sexta-feira, 25 de abril de 2014

Estrada Esburacada

Os quatro amigos - internamente conhecidos como 4 Patetas - fizeram uma viagem de Amparo/SP para Santa Catarina, passando por Sorocaba para reunir o quarto competente da tropa. Saíram cedo, para tentar evitar o trânsito do feriado prolongado, mas se distraíram com a paisagem da Serra de Tapiraí e chegaram nas bordas da BR 116 depois de muitos outros viajantes.

A BR estava congestionada, tudo parado, e o rádio da caminhonete avisando que o problema era um acidente, com muita demora para a retirada dos caminhões. Querendo recuperar o tempo perdido, os patetas pararam no acostamento, sacaram o mapa rodoviário e abriram aquela folha enorme de papel em cima do capô. Já existia celular na época, mas serviço de rastreamento por satélite, GPS, internet móvel e outras maravilhas semelhantes não era sonho distante - era sonho inexistente mesmo.

Vira mapa daqui, procura localização dali, alguém encontrou uma estradinha, paralela à BR, que permitiria voltar para a estrada principal logo depois do acidente. Era coisa de uns 30 km em estrada vicinal, mas comparada às condições da rodovia, valia a pena arriscar. E arriscaram.
Amarrotaram todo o mapa - dobrar certo aquele troço, depois que desdobrou a primeira vez, só quem já passou por isso sabe como é impossível - saíram da rodovia e acharam a estradinha. Logo no início, uma placa de alerta:

Buracos na rodovia próximos 15 km

Dúvida no ar: enfrentar os buracos ou voltar para o congestionamento? Bom, se a estrada tem 30 km e os buracos estão em "apenas" 15, vamos seguir.

Desvia daqui, desvia de lá, difícil fazer mais que 40 quilômetros por hora naquela buraqueira infernal. E o motorista olhando ansioso para o odômetro parcial, controlando a distância percorrida e esperando a hora de acabar com o suplício, antes que os buracos acabassem com o carro. Quando o instrumento no painel marcou 14,8 km e os viajantes já estavam suspirando aliviados, apesar do CD pulando (MP3 também era sonho), do enjoo, da dor na coluna e das cabeçadas no vidro, outra placa:

Buracos na rodovia próximos 15 km.

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segunda-feira, 21 de abril de 2014

O Furto do Século

Faz tempo que o Paiva não passa por aqui para contar seus causos, mas resolveu dar o ar da graça no feriadão porque se lembrou de um ocorrido exatamente nessa época, muitos anos atrás.

A turma estava toda na praia. Foi para Caraguatatuba explorar as belezas do litoral norte de São Paulo e reclamar do trânsito para descer a serra, da fila para comprar pão, da areia e do sol escaldante, enquanto tomava todas nas barraquinhas, longe da água salgada. Analisando bem, o programa era de índio, mas o importante é que a cerveja estava gelada.

O acontecido foi logo no primeiro dia. Assim que chegaram no apartamento, as meninas resolveram fazer um inventário dos mantimentos comprados na véspera e perceberam que faltava sal. Seria um exagero comprar 1 quilo de sal para usar algumas poucas pitadas, mas cozinhar sem o tempero também era impensável, então anotaram mentalmente que era necessário passar no supermercado para adquirir tal gênero de primeiríssima necessidade - mas deixaram para depois.

Daí foi todo mundo para a praia e, como já dito, a cerveja estava gelada e o cardápio era recheado de batidinhas variadas, que a turma experimentava em sistema comunitário. Resultado óbvio: todo mundo esqueceu do sal. Ou quase todo mundo!

Cervejinha vai, batidinha vem, porção de camarão vai, porção de calabresa vem, o dia foi passando e os problemas do país - talvez do mundo - foram sendo resolvidos na mesa do quiosque. Até a hora que alguém sugeriu pedir uma porção de fritas para saideira e o amigo do Paiva foi taxativo: "NÃO". Ninguém entendeu nada, mas ele reforçou: "Fritas NÃO. Melhor a gente ir embora". O clima ficou meio esquisito, mas já era mesmo meio tarde e resolveram pedir a conta. O amigo do Paiva foi o primeiro a pegar a conta, quando o garçom colocou na mesa, deu uma conferida básica e deixou no lugar sem fazer comentário. Estranho. Alguém fez as divisões, arrecadou o dinheiro e a turma foi embora.

Chegando no apartamento, o amigo do Paiva, emburrado e meio cambaleando de tanta cerveja e batidinha, desvenda o mistério:

"Seus bobão, vão pedir fritas bem naquela hora? Fritas a gente come com sal, e como é que a gente ia pedir pro garçom trazer sal, se todas as mesas já tinham saleiro, menos a nossa?"

Diante da incompreensão dos presentes, o amigo do Paiva põe a mão no bolso da bermuda e tira o saleiro que ele tinha surrupiado do quiosque, triunfante: "Vocês não estavam achando absurdo comprar 1 quilo de sal pra cozinhar? Eu resolvi o problema, trouxe o saleiro cheio - e de graça !"

Mesmo considerando os 3 seguranças da barraca, não foi verdadeiramente um grande feito. Mas na cabeça embriagada do amigo do Paiva, foi o furto do século.